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Qué otra cosa puede festejar? Paixão política nas narrativas sobre a Copa do Mundo de Futebol na Argentina (1975-1978)

  • Paixões em campo e nas páginas: a Copa de 1978 na perspectiva da imprensa brasileira e argentina
Tipo
Trabalho acadêmico
Produção
Curitiba, Paraná, Brasil
2016
Páginas
487
ISBN/ISSN
000
Suporte
Arquivo Digital

Tese de Ernesto Sobocinski Marczal apresentada como requisito parcial à obtenção do grau de Doutor em História, no Programa de Pós-Graduação em História, Setor de Ciências Humanas, da Universidade Federal do Paraná, sob orientação do Prof. Dr. Luiz Carlos Ribeiro e co-orientação do Prof. Dr. Pablo Alabarces.

Sumário

Introdução p. 23

1 - Por uma investigação político-afetiva do futebol p 43
1.1 - O futebol sob uma investigação afetiva e (inter)subjetiva p. 48
1.2 - Pertencimento e identidades: o futebol entre apreciações críticas do sujeito e o lugar comum p. 58
1.3 - O futebol como um catalizador afetivo das massas nos meios de comunicação p. 70

2 - A disputa pela Copa muito antes da Copa: da escolha da Argentina como sede às dúvidas sobre sua realização às vésperas do golpe p. 83
2.1 - A escolha da Argentina para o Mundial: um desejo antigo e peronista p. 84
2.2 - À beira do golpe: a copa do mundo na revista el gráfico nos primeiros meses de 1976, 95

3 - Da Copa na Argentina à Copa da Argentina: a irrupção do golpe e a reivindicação pública do Mundial como uma tarefa de Estado p. 105
3.1 - Um movimento esperado: o Golpe de 24 de Março e a instalação do Proceso de Reorganización Nacional p. 105
3.1.1 - No Brasil: a recepção imediata de Veja e Manchete p. 112
3.2 - Falando desportivamente: as recepções de El Gráfico e Goles e o discurso público da intervenção (autoritária) no Mundial p. 121
3.3 - Um passo imediato: a reorganização da AFA p. 128
3.4 - A materialidade de uma decisão político-pública: o EAM’78 p. 142

4 - Por que (não) devemos fazer o Mundial 78? Amostras do embate público sobre a realização da Copa do Mundo na Argentina p. 171
4.1 - No Mundial você joga de argentino: uma amostra publicitária da narrativa oficial p. 172
4.2 - Um precedente importante: o debate Muñoz X Panzeri p. 178
4.3 - Panzeri X Lacoste: lições de um debate não público p. 194

5 - Para além das fronteiras: o Mundial de 1978 entre o boicote e a campanha anti-Argentina p. 207
5.1 - A experiência do boicote: a movimentação de um debate sensível desde a Europa p. 212
5.1.1 - Para além da França: algumas leituras sobre o boicote da imprensa internacional p. 225
5.2 - No Brasil: alguns exemplos da recepção ao boicote p. 235
5.2.1 - Veja e Movimento p. 243
5.3 - A ditadura e a subversão contra o boicote: é preciso mostrar a verdadeira Argentina p. 254

6 - Contrastes entre brasileiros e argentinos: leituras sobre Coutinho e Menotti pela imprensa esportiva p. 269
6.1 - Entre a teoria e a prática: narrativas sobre o Professor Coutinho p. 272
6.2 - El Flaco Menotti: o proceso para recuperar la nuestra p. 284
6.2.1 - As narrações políticas de Menotti: entre a conivência com a ditadura e a despolitização do futebol p. 291
6.3 - Menottismo, imprensa e ditadura p. 299
6.4 - Nem todos eram menottistas: os exemplos de Panzeri, Mouzo e de Goles de Rolando Hanglin p. 306

7 - Às vésperas do Mundial: o dissenso político nas apreciações públicas de Juan Alemann e Reinaldo p. 319
7.1 - Uma voz opositora? Juan Alemann e o Mundial inflacionário p. 320
7.2 - Uma voz dissonante capitaneada pela imprensa brasileira: o Caso Reinaldo p. 335
7.3 - Paralelos narrativos argentinos: Carrascosa, Alonso e Maradona p. 349

8 - Argentina 1978: narrações políticas sobre o futebol p. 353
8.1 - Uma festa midiática: a preocupação com a imprensa e a cerimônia de abertura p. 353
8.2 - Política e futebol nas narrações da primeira fase da Copa no Brasil e na Argentina p. 364
8.3 - O futebol como espaço de discussão política na imprensa brasileira: Veja, Movimento e Pasquim p. 377
8.3.1 - Pasquim: a estética política dos cartuns p. 385
8.4 - Apreciações dissonantes desde a Argentina: os casos de Hum® e Clemente p. 401
8.4.1 - Caloi e Clemente: alegria popular e papelitos p. 408

9 - Narrativas de êxito e fracasso: o final do Mundial de 1978 e seus prolongamentos políticos no Brasil e na Argentina p. 415
9.1 - Um embate de narrativas e paixões: entre o 6X0 e o campeonato moral p. 415
9.2 - Argentina X Peru: a ressignificação político-afetiva das narrativas sob o espectro da memória p. 432
9.3 - ¡Argentina campeón!: reivindicações narrativas de uma vitória nacional p. 439

Considerações finais p. 455

Fontes p. 465
Referências p. 470

Textos

A Copa do Mundo de 1978 constituiu um dos exemplos limites das relações políticas tecidas a partir do futebol, durante os regimes autoritários na América Latina. A competição, realizada na Argentina sob a égide do autointitulado Proceso de Reorganización Nacional, delimitou um momento de inequívoca aproximação entre a ditadura comandada pela junta militar, então encabeçada pelo tenente-general Jorge Rafael Videla, e o futebol como fenômeno cultural massivo e midiatizado. Em sua configuração específica, mobilizou atenções que se prolongaram temporalmente desde os anos prévios de organização do evento e preparação esportiva das equipes. Também motivou intensos debates políticos e culturais que se propuseram a discutir o país e tensionar as apreciações construídas sobre o esporte para além do território argentino. Reflexões particularmente significativas em ambientes onde o futebol partilhava de singular apreço cultural e popular. Um desses lugares era o Brasil, vizinho sul-americano que vivia as complicações de sua própria ditadura civil-militar - sob uma atmosfera de crescente contestação interna -, almejava um bom desempenho na competição e detinha no futebol um importante elemento de representação imaginária nacional. Em ambos os espaços, os discursos produzidos sobre o futebol e a Copa do Mundo aglutinaram múltiplas leituras políticas que dialogavam com o público e com seus respectivos contextos sociais. Construções que flutuavam desde a adesão ideológica aos projetos autoritários oficiais, até reflexões que reivindicavam atitudes de crítica política e social. Nesse sentido, compreendemos o futebol enquanto importante aglutinador de paixões e afetos que possibilitaram a construção de narrativas polissêmicas. Locuções que buscavam operacionalizar sentimentos e emulara a sensação de pertencimento nacional, com objetivos e sentidos distintos, de acordo com os problemas, perspectivas e interesses abordados por seus articuladores. A partir disso, o presente trabalho se propõe a analisar as múltiplas narrações produzidas sobre o futebol e a Copa do Mundo de 1978 a partir de diferentes suportes documentais, sobretudo alguns veículos da imprensa periódica de cada país. Seja como manifestação cultural e afetiva de grande apelo popular; pressuposto lugar de alienação política, propaganda e instrumentalização; ou espaço inovador na articulação de uma critica política capaz de sensibilizar os sujeitos dispersos em uma sociedade de massas. Para isso, examinamos discursos variados, textuais e imagéticos, propagados sobre a modalidade esportiva, os respectivos selecionados nacionais e ao evento em si, bem como de que formas tais enunciados se articulavam entre si e com as propostas políticas e ideológicas circulantes na época. Para acessar clique aqui.

RESUMEN: La Copa del Mundo de 1978 constituye uno de los ejemplos límites de las relaciones políticas tejidas a partir del fútbol durante los regímenes autoritarios en América Latina. La competición cumplida en Argentina, bajo el control del Proceso de Reorganización Nacional, ha delimitado un momento de inequívoca aproximación entre la dictadura comandada por la junta militar, encabezada por el teniente-general Jorge Rafael Videla, y el fútbol como fenómeno cultural masivo y mediatizado. En su configuración específica, movilizó atenciones que se alargaron temporalmente desde los años previos de organización del evento e preparación deportiva de los equipos. También ha motivado diferentes debates políticos e culturales que se propusieron a debatir el país y tensionar las apreciaciones construidas sobre el deporte para adelante del territorio argentino. Reflexiones particularmente significativas en ambientes donde el fútbol repartía de singular aprecio cultural y popular. Uno de esos lugares era Brasil, vecino sudamericano que vivía los disgustos de su propia dictadura civil-militar -aún que en un atmósfera de creciente contestación interna -, miraba un buen desempeño en el torneo y tenía en el fútbol un importante elemento de representación imaginaria nacional. En ambos los espacios, los discursos producidos sobre el futbol y la Copa del Mundo aglutinaron lecturas políticas múltiples que versaban sobre sus respectivos contextos sociales. Construcciones que fluctuaban desde la adhesión ideológica a los proyectos autoritarios oficiales, hacia reflexiones que reivindicaban actitudes de crítica política y social. En ese sentido, comprendemos el fútbol en cuanto fuerte aglutinador de pasiones y afectos, que han posibilitado la confección de narrativas polisémicas. Locuciones que intentaron activar sentimientos y emular la sensación de pertenencia nacional con objetivos y sentidos distintos, de acuerdo con los problemas, perspectivas e intereses abordados por sus articuladores. De esa manera, la presente investigación se vuelta para el análisis de las narraciones producidas sobre el futbol y la Copa de 1978 a partir de diferentes soportes documentales, sobretodo algunos órganos de prensa de cada país. Sea manifestación cultural e afectiva de grande significación popular; presupuesto lugar de alienación, propaganda e instrumentalización; o espacio novedoso en la articulación de una crítica política capaz de sensibilizar los sujetos dispersos en una sociedad de masas. Para eso, examinamos discursos variados, textuales e imagético, propagados con respecto a la modalidad deportiva, las respectivas selecciones nacionales y al evento, bien como de que formas tales enunciados se relacionaban entre ellos y con las propuestas políticas e ideológicas en circulación.

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