Redescobrindo o sentido do jogo: uma etnografia da cultura futebolísticas no Mirante Esporte Clube
O objetivo do presente estudo foi interpretar e analisar a relação das representações sociais, emergentes do processo de aprendizagem da cultura futebolística, com a construção do habitus dos jogadores do Mirante Esporte Clube, localizado na cidade de Ponta Grossa - Paraná (2013-2017). Para tanto, optou-se pelos direcionamentos da etnografia, pois eles guiam os pesquisadores no processo interpretativo do “ponto de vista” e da “visão sobre o mundo” dos agentes pertencentes ao grupo social investigado, através das interpretações de suas práticas simbólicas. No decorrer deste processo investigativo, em que se permaneceu mais de três anos in loco, totalizou-se aproximadamente 180 saídas a campo. Com tempo médio de permanência in loco de 5 horas, passou-se mais de 900 horas no campo. Empreendimento estruturado em cinco capítulos relacionais, em que se analisou a importância da sociabilidade, das relações de longa duração e das famílias para a preservação das atividades do campo, bem como as lógicas específicas que atribuíam aos veteranos um posto privilegiado na dinâmica do campo. Explorou-se, também através dos rituais de preparação para os jogos, as dimensões afetivas e simbólicas do futebol, que possibilitavam a transformação dos jogadores do “eu social” para o “eu jogador de futebol”. Ao longo da análise, compreendeu-se o campo futebolístico amador pontagrossense como um espaço de tensões entre valores, sentimentos e visões de mundo, interiorizadas pelos agentes nos diversos campos sociais em que circulavam cotidianamente, de acordo com suas posições no mundo social. Estes conflitos emergiam, porque, ao adentrarem em um campo de futebol, as disposições de agir, as práticas e as representações sociais dos jogadores, sobre os mais diversos temas que atraíam suas atenções cotidianamente não eram pendurados e deixados dentro dos vestiários. Não obstante, o inverso também ocorria, pois, os valores, os sentimentos, as práticas e as disposições de agir, ensinadas e aprendidas nestes espaços sociais transcendiam o campo específico e passavam a ser exteriorizadas ou reproduzidas em outras estruturas sociais, como a família, a escola, o trabalho, entre outros. Portanto, ao analisar as representações sociais destes agentes e grupos neste campo específico, identificou-se princípios geradores e disposições deste habitus, expressos através de práticas e representações sociais sobre os objetos significativos para o campo. Desse modo, verificou-se, também, uma dinâmica relacional entre as representações sociais e a construção do habitus dos agentes envolvidos com o campo futebolístico amador de Ponta Grossa. Para acessar clique aqui
Sumário
Introdução p. 17
1 - Percursos da pesquisa p. 25
1.1 1 - Etapa: o estabelecimento do objeto, dos sujeitos e do campo p. 30
1.2 2 - Etapa: conhecimento prévio p. 32
1.3 3 - Etapa: autorização legítima para adentrar no campo p. 32
1.4 4 - Etapa: as descrições iniciais (superficiais) p. 33
1.5 5 - Etapa: o processo de aceitabilidade p. 35
1.6 6 - Etapa: as descrições “densas” p. 38
1.7 - A baliza temporal do estudo como variável p. 43
1.8 - Envolvimento e distanciamento de objeto como variáveis p. 45
2 - Os primeiros passos in loco p. 49
2.1 - Entre o alambrado e o bar: superando a primeira camada do processo de
aceitabilidade p. 61
3 - Contextualizando o campo futebolístico amador de Ponta Grossa p. 71
3.1 - Classificação dos clubes que disputam os campeonatos amadores de futebol p. 79
3. 1. 1 - Os clubes de vila p. 80
3. 1. 2 - Os clubes associativos/sociais p. 85
3. 1. 3 - Os clubes empresas p. 90
3. 1. 4 - Os clubes visitantes p. 92
3. 2 - A construção dos tipos sociais p. 93
3. 2. 1 - Aqueles que jogam devido à identidade com o clube p. 96
3. 2. 2 - Aqueles que jogam devido às relações de amizade e rodas de sociabilidade p. 99
3. 2. 3 - Aqueles que jogam devido ao amor pelo futebol p. 102
3. 2. 4 - Aqueles que jogam devido aos benefícios ou remunerações p. 105
4 - Bem-vindo à família! notas sobre a lógica do casamento e o posto de veterano no Mirante E. C. p. 109
4.1 - O Mirante E. C. é um time de família! o processo de aprendizagem social do gosto pela prática futebolística amadora p. 112
4.1.1 - O futebol como continuidade da família p. 115
4.1.2 - O futebol como “segunda família” p. 119
4.2 - Experiência e sabedoria em campo: uma representação social positiva sobre o processo de envelhecimento dos “veteranos” p. 121
4.2.1 - Os alambrados: “que vontade de ter vivido naquela época!” p. 125
4.2.2 - As peladas: “até o toque deles na bola é diferenciado!” p. 131
5 - Interpretando os galos! uma análise da dimensão simbólica do ritual de preparação para os jogos e sua função enquanto rito de instituição p. 135
5.1 - Uma quebra no ritual: o caso do jogo entre Mirante E. C. versus clube visitante “D”,
válido pelo Campeonato Amador Divisão Especial de 2016 p. 143
5.1.1 - Descrição e análise do jogo entre Mirante E. C. versus clube visitante “D” p. 145
5.2 - A eficácia do ritual de preparação para os jogos: o caso do Campeonato Amador Máster de 2017 p. 150
Considerações finais p. 165
Referências bibliográficas p. 169



