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Da festa à guerra? A construção da representação da torcida organizada Raça Rubro-Negra durante o processo de modernização do futebol brasileiro (1987-1998)

Tipo
Trabalho acadêmico
Produção
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
2022
Páginas
192
ISBN/ISSN
000
Suporte
Arquivo Digital

Dissertação de Mestrado de Juliana Nascimento da Silva apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História Social, Instituto de História, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em História sob orientação do Prof. Dr. Fernando Luiz Vale Castro e coorientação do Prof. Dr. Bernardo Borges Buarque de Hollanda. Para acessar clique aqui.

Sumário

Introdução p. 12
Capítulo 1 - Violência, modernização do futebol e racionalização p. 18
1 - Debates sobre racionalização: calculabilidade da vida, eficiência e neoliberalismo na Nova República p. 19
1.1 - Racionalização e razão instrumental p. 19
1.2 - Nova República e neoliberalismo p. 22
1.3 - Violência: a tônica das décadas de 1980 e 1990 p. 29
1.3.1 - Legados da Ditadura Militar p. 29
1.3.2 - Violência no Rio de Janeiro p. 31
1.4 - Modernização do futebol p. 42
1.4.1 - Torneios e campeonatos: a lógica da eficiência p. 42
1.4.2 - Formação dos campeonatos futebolísticos em âmbito nacional p. 43
1.4.3 - Campeonato Nacional e apropriação política p. 48
1.4.4 - Novos marcos da modernização do futebol p. 58
1.4.4.1 - Clube dos Treze e legislações esportivas: novos debates p. 63
1.4.5 - Modernização e torcidas organizadas p. 70

Capítulo 2 - Formas de ser Raça Rubro-Negra: a coexistência festa-guerra p. 73
2 - Representação: dessencialização do conceito de cultura p. 73
2.1 - Da História tradicional à incorporação do cotidiano p. 73
2.1.1 - Dilatação do conceito de cultura e os modos de fazer de torcedores organizados p. 77
2.2 - Construindo uma torcida: torcer “à Raça Rubro-Negra” p. 83
2.2.1 - Organizações torcedoras: disciplina, contestação e produção de significados p. 83
2.2.2 - Amálgama simbólico p. 86
2.2.3 - “Comunidades imaginadas” e memória social p. 87
2.3 - Forma-representação: o surgimento da torcida organizada Raça Rubro-Negra p. 90
2.3.1 - Performance torcedora e burocratização p. 94
2.4 - “Uma história de sangue e violência”? p. 102
2.4.1 - O quadro urbano: metropolização, confrontos e identidades p. 102
2.4.2 - Violência para além das torcidas organizadas p. 106
2.4.3 - Território torcedor para além do estádio p. 111
2.4.4 - A relação funk-torcida p. 117
2.4.5 - Concomitância p. 121

Capítulo 3 - Raça Rubro-Negra e as práticas discursivas: o que está em disputa? p. 123
3 - Comunicação através das representações e performances p. 123
3.1 - Simbiose entre prática e representação p. 123
3.1.1 - Comunicação e disputas de representação p. 128
3.1.2 - Mídia e representações p. 130
3.2 - Práticas e significações da Raça Rubro-Negra p. 132
3.2.1 - Da festa à guerra? p. 136
3.2.1.1 - Sociabilidade e representação no baile funk p. 140
3.2.1.2 - Raça Rubro-Negra e vivências no Maracanã p. 145
3.3 - Relacionamento com a mídia: como criminaliza? p. 154
3.3.1 - Veiculação e recepção p. 154
3.3.2 - Mídia, torcidas organizadas e modernização do futebol p. 159
3.3.2.1 - Invisibilização autoral da festa p. 170
3.4 - A concomitância festa-guerra: demandas da torcida p. 173

Considerações finais p. 179

Referências bibliográficas p. 186

Textos

A presente pesquisa tem como questionamento central as prerrogativas de representação construídas pela torcida organizada Raça Rubro-Negra, vinculada ao Clube de Regatas do Flamengo e fundada em 1977 sob o princípio nativo da produção da animação dos jogos nas arquibancadas. Relacionado às políticas modernizantes do futebol profissional, que têm como marco inicial a realização da Copa União e a formação do Clube dos Treze, em 1987, até a Lei Pelé, instituída em 1998, passando pela Lei Zico, de 1990, o agrupamento torcedor é analisado em suas transformações internas e em suas conexões com o contexto sociocultural da vida urbana no Rio de Janeiro. Estas, por sua vez, dialogam com um novo modelo político e econômico não só de Estado, mas também da organização competitiva do poder futebolístico. Dessa forma, o trabalho analisa as categorias “festa” e “guerra” no interior da torcida e as relaciona com o recrudescimento da violência durante as décadas de 1980 e 1990 na cidade do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, os debates sobre a guinada modernizante da esfera esportiva, bem como o processo de estigmatização da torcida na sociedade mais ampla, são associados à abordagem midiática e ao seu papel no processo de construção dos significados sociais. 

ABSTRACT: This research has as guiding questioning the prerogatives of representation built by the Raça Rubro-Negra, founded under the assumptions of the production of party in the stands. Related to the modernizing policies of football, which have as their initial landmark the "Copa União" and the formation of the Clube dos Treze in 1987, until the "Lei Pelé" (Pelé Law), instituted in 1988, passing through the "Lei Zico" (Zico Law), the organized crowd is analysed in its immersion in a new political and economic model not only of the State, but also of football. Therefore, the academic work analyses the categories party and war within the fan group, related to the upsurge of violence during the 1980s and 1990s. At the same time, debates about the modernizing turn of the football sphere, as well as the process of stigmatization of fans in the wider society are associated with the media approach and its role in the process.

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