Racismo no futebol brasileiro - 2ª edição
Inserido no Brasil pelos filhos de sua aristocracia, o futebol, produto importado, objetivava, inicialmente, a propagação de valores de distinção e exaltação de classe pelos praticantes no final do século XIX e início do XX. Com a também adesão das camadas populares à prática dos pontapés na bola, em pouco tempo, negros e operários passaram a ser discriminados por aqueles que comandavam o esporte. Destaca-se nesse período o enfrentamento promovido pelas equipes cariocas Bangu A.C. e C.R. Vasco da Gama e a paulista A.A. Ponte Preta. Décadas mais tarde, mesmo com atletas negros incorporados à quase todos os times, o racismo permaneceu. Ele foi, inclusive, utilizado como justificativa à derrota brasileira na Copa de 1950. Hoje, casos de discriminação racial antes, durante e após partidas de futebol se proliferam, enquanto poucos dirigentes, técnicos e presidentes dos clubes brasileiros são negros. De forma explícita ou velada, o microcosmo do futebol acaba sendo um espelho da própria sociedade. Nesta obra, originalmente pensada como Trabalho de Conclusão de Curso da Pós-Graduação em Direito Desportivo do autor, busca-se a discussão do racismo no futebol do Brasil com enfoque especial ao julgamento da questão pelos tribunais.
Sumário
Prefácio p. 15
Introdução p. 19
1 - Um breve histórico sobre a prática do futebol no Brasil p. 23
1.1 - Histórico do futebol até a chegada ao Brasil p. 23
1.2 - Aristocracia brasileira e a implementação do esporte p. 25
1.3 - Primeiros clubes p. 30
1.4 - Do amadorismo à profissionalização p. 31
1.5 - O futebol feminino p. 33
1.6 - Evolução e legislações p. 38
2 - O racismo p. 41
2.1 - Racismo: definição e histórico no Brasil p. 41
2.2 - A formação do povo brasileiro e o mito da democracia racial p. 46
2.3 - Crime de racismo X Injúria racial p. 47
2.4 - Código Brasileiro de Justiça Desportiva: art. 243-G p. 53
3 - O racismo no futebol brasileiro p. 59
3.1 - Bangu Athletic Club p. 59
3.1.1 - A Fábrica Bangu e o início do clube p. 59
3.1.2 - Operários e Francisco Carregal, considerado por muitos, o primeiro jogador negro do Brasil p. 62
3.2 - Associação Atlética Ponte Preta p. 66
3.3 - A Seleção Brasileira em 1920/21 p. 68
3.4 - Club de Regatas Vasco da Gama p. 71
3.4.1 - O ingresso no futebol p. 71
3.4.2 - A chega à primeira divisão, o racismo e o preconceito p. 74
3.4.3 - A resposta histórica e a desfiliação da AMEA p. 77
3.5 - Carlos Alberto, o pó de arroz, Manteiga e o America p. 83
3.6 - Barbosa, a Copa de 50 e os jogadores negros na Seleção Brasileira pós-Maracanazo p. 86
3.7 - A Portuguesa Santista, o apartheid e a Fita Azul em 1959 p. 94
3.8 - Pelée o pós-aposentadoria da Seleção Brasileira p. 101
3-9 - O Observatório da Discriminação Racial no Futebol p. 109
3.10 - Episódios de discriminação racial durante partidas e futebol p. 110
3.10.1 - O caso Grafite p. 111
3.10.2 - E.C. Juventude, primeiro clube a ser punido por ato de discriminação racial p. 123
3.10.3 - O caso Jeovânio p. 124
3.10.4 - O caso Manoel p. 129
3.10.5 - O caso Márcio Chagas p. 132
3.10.6 - O caso Paulão p. 142
3.10.7 - O caso Aranha p. 145
3.10.8 - O caso Tchê Tchê p. 156
3.10.9 - O caso Renê Júnior p. 158
3.10.10 - O caso Messias p. 167
3.10.11 - O caso Paola Rodrigues p. 172
3.10.12 - O caso do jogo de portões fechados com cântico racista p. 177
3.10.13 - O caso Gerson p. 178
3.10.14 - O caso Celsinho p. 182
3.11 - O racismo estrutural: o baixo número de técnicos, dirigentes, presidentes de clubes e integrantes da Justiça Desportiva negros p. 192
Conclusão p. 205
Entrevistas p. 211
Paulão (Paulo Marcos de jesus Ribeiro, zagueiro) p. 211
Marcelo Carvalho (diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol) p. 221
Entrevista 1 p. 221
Entrevista 2 p. 225
Marcelo Jucá (Presidente do Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol do Rio de Janeiro de 2016 a 2020) p. 233
Paulo Schmitt (Procurador Geral do Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol de 2004 a 2016) p. 239
Irlan Simôes (jornalista, pesquisador e autor) p. 245
Bibliografia p. 253



