Camisa amarela, confeccionada em tecido 100% algodão [1], medindo 74 cm de altura por 43 cm de largura. Possui gola redonda em malha canelada na cor verde. As mangas são curtas a apresentam punhos também em malha canelada verde. Na parte frontal, à esquerda, encontra-se costurado em linhas amarelas, o escudo da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) [2]. O emblema possui fundo azul, faixas verticais e horizontais verdes contornadas por linhas amarelas e, sobreposto a elas, uma cruz branca de oito pontas, com a inscrição “CBD” em azul.

A camisa apresenta, ainda, um autógrafo na região central, no qual é possível ler: “Ao meu amigo e colega Antônio Almeida (TONINHO) uma lembrança do México, Wilson Piazza 15-8-70”. Acredita-se que esse autografo seja do jogador Piazza, campeão mundial em 1970. No verso da peça, ao centro, foi costurado o número “6”, em formato arredondado e na cor verde. Na sua parte inferior, à esquerda, está a marca d’água [3] da Umbro, marca inglesa fabricante do uniforme. A peça possui marcas de desgaste compatíveis com a ação do tempo, como pequenas manchas marrons. Além de um pequeno furo, próximo ao escudo.

Cabe destacar que, na Copa do México, a Seleção, bem como em 1958, contou com dois fornecedores [4]. Houve então um rodízio no uso dos uniformes, geralmente utilizava-se o da Athleta no primeiro tempo e o da Umbro no segundo. A exceção foi na final, quando a equipe utilizou apenas o uniforme da Umbro. Além disso, em 2018, a Nike, atual fornecedora de material esportivo da Seleção Brasileira, inspirou-se nos tons de amarelo da vitoriosa camisa utilizada no México para desenvolver a tonalidade denominada “Samba Gold” (Ouro Samba), caracterizada por um amarelo vivo e brilhante.

Atribui-se o uso dessa camisa ao jogador Marco Antônio Feliciano que, no México, na Copa do Mundo de 1970, vestiu a camisa 6 e foi reserva do gremista Everaldo. Lateral-esquerdo do Fluminense F.C., o jogador de apenas 19 anos entrou no segundo tempo da vitória por 3 a 2 sobre a Romênia, e no jogo seguinte foi titular nos 4 a 2 contra o Peru, pelas quartas de final.
A Seleção Brasileira, dirigida por Zagallo, encantou o mundo com um futebol ofensivo e criativo. Embalado por Pelé, Jairzinho, Rivellino, Gérson e Tostão, o time venceu todos os seis jogos, com direito a um 4 a 1 sobre a Itália na final.
Convocado para a Copa seguinte, na Alemanha Ocidental, Marco Antônio ficou, desta vez, na reserva de Marinho Chagas e não entrou em nenhuma partida.
Marcelo Duarte
Jornalista e curador da exposição Temporária Amarelinha
Com a colaboração da equipe do Centro de Referência do Futebol Brasileiro
NOTA
[1] O algodão é uma fibra natural cultivada no algodoeiro que, após o processo de fiação, dá origem ao fio de algodão. Na etapa de tecelagem, esse fio pode resultar em tecidos de composição 100% algodão ou em tecidos mistos, combinados com outros tipos de fibras. Até meados da década de 1970, o algodão predominou na confecção das camisas de futebol. Contudo, por ser um tecido natural, ele absorve e retém o suor e a água da chuva, o que tornava as camisas mais pesadas durante as partidas.
[2] Criada em 1916, a CBD era a entidade responsável por gerir os esportes no Brasil. Foi extinta em 1979, com a criação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
[3] No tecido, é similar a uma estampa, mas com tonalidade mais clara. A transparência aplicada faz dela um elemento mais sutil na peça.
[4] Em 1958, as camisas da Seleção Brasileira possuíam mais de um fornecedor de material esportivo. A Ceppo e a Superball eram responsáveis pelos uniformes de jogo, enquanto o material de treino era fornecido pela Athleta. Para conhecer mais sobre a camisa da Seleção de 1958 clique aqui.


