Deu Branco em 1994

Camisa amarela, composição 100% poliéster [1] medindo 74 cm de altura e 99 cm de largura. Possui gola em formato “V”, em tecido de malha canelada, na cor verde com detalhes em amarelo e as inscrições “CBF” (frente), e “Brasil” (verso). Na sua parte frontal, apresenta marca d’água [2] com três escudos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sobrepostos e, ao centro, o número “6”. À esquerda, consta escudo com sigla “CBF” em azul, aplicada sobre cruz branca, que, por sua vez, está aplicada sobre outra cruz verde com bordas amarelas, sobre um fundo azul. Em cima do escudo, há três estrelas e abaixo “BRASIL”, À direita do escudo, consta a inscrição em caixa alta, “UMBRO”. No verso, centralizado e em caixa alta, lê-se a palavra “BRANCO” e o número “6”. Tanto as inserções da frente quanto do verso são na cor verde e em tecido flocado [3].

Camisa da Copa do Mundo de 1994, atribuída ao jogador Branco. Coleção Salomão Furer Júnior | Foto: Nilton Fukuda

Na Copa do Mundo de 1994, a primeira disputada nos Estados Unidos, o lateral-esquerdo Branco virou uma espécie de talismã da Seleção Brasileira. Inicialmente reserva de Leonardo, ele ganhou espaço depois da expulsão do titular nas oitavas de final contra a seleção da casa. Leonardo atingiu Tab Ramos com uma cotovelada no rosto, foi expulso e não voltou mais a jogar no torneio. A partir dali, Branco, gaúcho de Bagé, então com 30 anos e jogador do Fluminense F.C., assumiu a posição e se transformou em peça decisiva nos três jogos finais da campanha que culminaria no tetracampeonato.

O momento mais marcante ocorreu nas quartas de final, contra a Holanda, no estádio Cotton Bowl, em Dallas. O Brasil havia aberto 2×0 com Romário e Bebeto, mas sofreu o empate com gols de Bergkamp e Winter. Foi então que Branco, conhecido pela força e precisão nas cobranças de falta, acertou um chute de longa distância, que garantiu a vitória por 3 x 2 e a classificação para a semifinal, contra a Suécia. O gol magistral, aos 35 minutos do segundo tempo, é lembrado como um dos lances mais bonitos daquela Copa.

Na final contra a Itália, disputada no Rose Bowl, em Pasadena, o jogo terminou sem gols no tempo normal e na prorrogação, levando a decisão para os pênaltis. Branco cobrou a terceira penalidade e converteu sua batida com segurança, contribuindo para o triunfo brasileiro por 3 x 2. A conquista deu ao Brasil o quarto título mundial e consolidou a participação do lateral como um “herói improvável” da campanha.

Verso da camisa de 1994 com nome do lateral-esquerdo Branco | Coleção Salomão Furer Júnior |Foto: Nilton Fukuda
Detalhe da camisa | Coleção Salomão Furer Júnior |Foto: Nilton Fukuda

A camisa Objeto da Vez de maio de 2026 foi produzida pela marca inglesa Umbro, que substituiu a Topper como fornecedora do material esportivo da Seleção Brasileira, em 1991. A Umbro tinha sido uma das marcas que vestiu a Seleção do Tri, em 1970, junto com a brasileira Athleta. Em 1997, a CBF trocou a Umbro pela americana Nike.

Ainda como curiosidade, além de trocar de fornecedora, em 1991 a CBF também mudou seu escudo, deixando de lado a Taça Jules Rimet, usada nas Copas de 1982, 1986 e 1990, adotando um design muito parecido com o da época da CBD. E na Copa de 1994 foi a primeira vez que o nome dos jogadores foi estampada na camisa brasileira.

Uma camisa 6 atribuída ao jogador naquela Copa é um dos destaques da exposição temporária Amarelinha, em cartaz no Museu do Futebol entre maio e setembro de 2026. São dezoito camisas no total, que teriam sido vestidas por craques brasileiros nos mundiais de 1958 a 2022.

Marcelo Duarte
Jornalista e curador da exposição Temporária “Amarelinha”

NOTA

[1] O poliéster é feito a partir de filamentos sintéticos de origem química. Possui boa elasticidade, além de ser resistente à ruptura, secar rapidamente, com bom isolamento térmico. É, hoje, o tecido mais vendido no mundo.

[2] A esse tipo de processo de estamparia dá-se o nome de sublimação. Trata-se de um processo químico que faz com que a estampa passe do estado sólido para o gasoso, sem passar pelo líquido. Assim, a tinta que está em estado sólido no papel passa para o tecido na forma de vapor e, dessa forma, adere-se a ele.

[3] Tecido flocado: resultado do processo de flocagem, que é a sobreposição de fibras têxteis. É realizado com a finalidade de criar um efeito aveludado, embora não seja feito a partir de tecidos que conhecemos como veludo.

Pular para o conteúdo
Governo do Estado de SP