Em 2025, o Museu do Futebol promoveu a Quarta Edição do curso de Acessibilidade à Distância.
Com carga horária de 20h, o curso “Futebol é para Todos: neurodiversidade e inclusão nos estádios e nas quadras” é voltado para profissionais da educação, da saúde, do esporte e da cultura que atuam direta ou indiretamente com pessoas autistas e outras neurodivergências
O Museu do Futebol, equipamento público da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, dá continuidade ao seu compromisso com a acessibilidade e a diversidade, propondo um espaço formativo que conecta profissionais de diferentes áreas ao tema da neurodivergência. A iniciativa faz parte do Programa Educativo do Museu do Futebol e integra o Programa de Acessibilidade do Museu do Futebol (PAMF), reconhecido nacionalmente por suas ações de inclusão.
Assim como nas edições anteriores, o curso reafirma a perspectiva anticapacitista, valorizando as vozes de pessoas neurodivergentes, familiares e especialistas como protagonistas do debate.
Tornar o museu um espaço cada vez mais acessível e inclusivo sempre foi um objetivo compreendido como premissa para as ações propostas ao público, no âmbito do Programa de Acessibilidade do Museu do Futebol (PAMF). Para tanto, o museu desenvolveu projetos e ações reconhecidos e premiados nesta área, projetando pessoas com deficiência como protagonistas das mudanças atitudinais, comportamentais e arquitetônicas dentro do museu, reforçando o compromisso do Núcleo Educativo com a acessibilidade. Esse compromisso converge com as premissas presentes na nova definição de museu pelo Conselho Internacional de Museus (em inglês ICOM – Internationl Counsil of Museums), resultado de um longo e amplo processo coletivo e participativo de construção colaborativa que envolveu profissionais de todo o mundo:
Um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos e ao serviço da sociedade que pesquisa, coleciona, conserva, interpreta e expõe o patrimônio material e imaterial. Abertos ao público, acessíveis e inclusivos, os museus fomentam a diversidade e a sustentabilidade. Com a participação das comunidades, os museus funcionam e comunicam de forma ética e profissional, proporcionando experiências diversas para educação, fruição, reflexão e partilha de conhecimentos.
Nesta perspectiva e após tantos anos na promoção da acessibilidade como política e como prática dentro do Museu do Futebol, o Programa Educativo reconhece a sua função formadora e se propõe a elevar os debates e conceitos referentes ao campo da acessibilidade a partir de especialistas da área, preferencialmente pessoas com deficiência, que se dedicam a pesquisar, divulgar e aprimorar recursos e ações que possibilitam o mundo ser um lugar mais acolhedor e acessível. Decorre dessa função formadora e do contato com especialistas o aprimoramento de práticas, sobretudo naquelas que contribuem para tornar o acesso mais tangível, não apenas no discurso e no projeto, mas também na vida das pessoas, dentro e fora do museu. O resultado disso é a ampliação, um dia de cada vez, das dimensões da acessibilidade e do acesso, dentro de uma lógica anticapacitista e sustentável.
As aulas trarão reflexões sobre políticas públicas, olhares clínicos, práticas esportivas e a experiência torcedora, ampliando o repertório de estratégias inclusivas para a vida dentro e fora do esporte.
Estrutura e Temáticas
Aula 01 – Perspectiva biopsicossocial sobre o autismo e outras neurodivergências com Lucelmo Lacerda
Apresentação dos fundamentos conceituais e científicos sobre o autismo e outras neurodivergências, a partir da perspectiva biopsicossocial e das práticas baseadas em evidências. A aula discute a importância de compreender as diferenças do neurodesenvolvimento como parte da diversidade humana, analisando os impactos sociais, educacionais e culturais dessa perspectiva.
Aula 02 – Estratégias de inclusão na prática esportiva para pessoas autistas com Tiago Toledo
Apresentação de práticas e metodologias que unem movimento, cognição, comunicação e convivência no trabalho com pessoas autistas e outras neurodiversidades. A aula destaca o papel do professor de Educação Física nas equipes multidisciplinares e propõe compreender o futebol e o esporte como espaços de convivência, descoberta e fortalecimento de vínculos entre pessoas autistas, famílias e comunidades.
Aula 03 – Demandas das torcidas autistas e a experiência torcedora nos estádios, arenas e quadras com Juliana Prado (Torcida Autistas Alvinegros) e Karina Sala (Torcida Autistas Cruzeirenses)
Relatos e reflexões sobre o protagonismo das torcidas autistas e suas formas de organização. A aula apresenta as descobertas, desafios e experiências coletivas que têm transformado estádios, arenas e quadras em espaços de expressão, convivência e pertencimento, afirmando o direito das pessoas autistas de viver o esporte em seus próprios modos de ser, sentir e torcer.
Aula 04 – Clubes e políticas de acessibilidade: caminhos para acolher torcedores autistas com Clarissa Arteiro (Vasco da Gama) e William Siri (Vereador – RJ)
Reflexão sobre como clubes e agentes públicos têm estruturado ações de acessibilidade e acolhimento a partir das demandas de pessoas autistas e suas famílias. A aula apresenta experiências institucionais e legislativas que transformam o esporte em campo de diálogo entre torcedores, clubes e políticas de acesso, promovendo o direito de participar, pertencer e transformar o jogo.
Aula 05 – O futebol como foco, afeto e convivência com Felipe dos Santos, João Eduardo Vieira e Leonardo Vieira (Arena Bela Vista)
Apresentação do futebol como foco de interesse, linguagem afetiva e experiência social para pessoas autistas e outras neurodiversidades. A aula apresenta vivências e projetos comunitários que revelam o futebol como campo de expressão, aprendizado e encontro, em diálogo com a função socioeducativa do Museu do Futebol e sua missão de valorizar a diversidade de modos de viver o jogo.
Aula 06 – Políticas públicas e espaços de participação: inclusão e cidadania no esporte com Silvia Grecco (Secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo) e Phelipe Pereira (Conselheiro Municipal de Direitos da Pessoa com Deficiência – RJ / Cultura de Acesso)
Tendo o futebol como expressão de paixão coletiva e força de transformação social, a aula discute como políticas públicas, gestão e participação social se articulam na promoção da inclusão e da vida digna de pessoas com deficiência e neurodiversas. Apresenta a acessibilidade como princípio democrático e destaca a intersetorialidade das políticas de cuidado que promovem o acesso, conectando esporte e cidadania. Ressalta, ainda, o papel do Museu do Futebol como agente ativo na coconstrução e no fortalecimento dessas políticas no campo da cultura, reafirmando a luta anticapacitista como base ética para o desenvolvimento humano.