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Nelinho

  • Manoel Rezende de Matos Cabral
  • O Canhão das Américas
Atuação
Lateral
Técnica(o)

Clubes e Federações

Quando Onde Atuação
1970-1971 América Mineiro Lateral
1972 Remo Lateral
1972 Bonsucesso Lateral
1973-1980 Cruzeiro Lateral
1974 Seleção Brasileira Copa do Mundo 1974 Lateral
1978 Seleção Brasileira Copa do Mundo 1978 Lateral
1980 Grêmio Lateral
1982-1987 Atlético Mineiro Lateral
1993 Atlético Mineiro Técnica(o)
1994 Cruzeiro Técnica(o)

Textos

Manoel Rezende de Matos Cabral nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 26 de julho de 1950. Filho de portugueses, iniciou-se na categoria infantil do Olaria AC, de sua cidade natal. Ainda no clube, trabalhava simultaneamente como office-boy, aos 15 anos, a pedido de sua mãe, quando foi convidado para um teste no América FC, também do Rio de Janeiro. Após uma semana treinando no clube, foi contratado.

Ali se iniciou a carreira profissional de Nelinho. Depois de se desenvolver no time juvenil como volante, foi experimentado como lateral direito tão logo foi promovido para os profissionais do América, onde não ficou muito tempo. Em 1969 um antigo preparador físico do clube, que trabalhava em Portugal como treinador do Barreirense FC, indicou Nelinho aos dirigentes do clube. Após a confirmação da indicação pelo técnico dos profissionais do América, Oto Glória, o jogador transferiu-se para o Barreirense.

Ficou no clube português por um ano. Após problemas internos, retornou ao Rio de Janeiro, mas ainda com o passe preso ao Barreirense. Porém, mesmo depois da liberação, continuou inativo, até que, por indicação de um ex-companheiro do América, foi contratado pelo Bonsucesso FC, outro clube do Rio de Janeiro. Lá obteve os primeiros destaques na carreira, principalmente pelo chute forte. No entanto, após o final do contrato com o Bonsucesso, no meio de 1972, Nelinho novamente ficou sem clube.

Então recebeu uma proposta do Clube do Remo de Belém, Pará, Brasil, já com o Campeonato Brasileiro em andamento. Na partida do Remo contra o Cruzeiro EC a atuação de Nelinho foi bastante elogiada. Bastou isso para que o clube de Belo Horizonte o contratasse para a lateral direita, em janeiro de 1973. Nelinho rapidamente se tornou notável com a vitalidade das suas atuações pelo setor, avançando bastante para ajudar o ataque – além dos chutes de fora da área, apelidados de “saca-rolha”, pelo grande efeito que ganhavam.

O resultado: não só Nelinho tomou a posição de Pedro Paulo, há muito tempo titular do Cruzeiro, como também cresceu de produção na equipe, ganhando seu primeiro título como jogador, o Campeonato Mineiro de 1973. Em abril de 1974, com a lesão de Carlos Alberto Torres, foi incluído na lista de 40 jogadores pré-relacionados pelo técnico Zagallo para a Seleção Brasileira que iria à Copa de 1974. Em 28 de abril daquele ano fez seu primeiro jogo pela Seleção: um empate, sem gols, contra a seleção da Grécia.

Em termos clubísticos, o jogador foi peça-chave na campanha que levou o Cruzeiro ao vice-campeonato brasileiro, sendo derrotado pelo CR Vasco da Gama, na decisão. Finalmente, Nelinho foi incluído na lista definitiva dos 22 convocados para a Copa do Mundo. No Mundial disputado na Alemanha atuou apenas nas três partidas do Brasil na primeira fase, ficando na reserva, desde então. Mas 1974 ainda lhe trouxe mais um título, outro Campeonato Mineiro.

Em 1975 Nelinho teve um dos grandes anos de sua carreira. Primeiramente, aproveitou o fato de somente jogadores que atuavam em Minas Gerais terem sido convocados para a Seleção Brasileira que disputou a Copa América daquele ano para destacar-se novamente, tornando-se titular absoluto da equipe brasileira. No Cruzeiro, não só chegou de novo à segunda colocação no Campeonato Brasileiro e conquistou o tetracampeonato mineiro, mas também recebeu a Bola de Prata da revista Placar, como melhor lateral-direito do torneio.

Em 1976 Nelinho foi personagem importante num dos títulos mais importantes da história do Cruzeiro: após vencer o CA River Plate, da Argentina, na final, o time conquistou a Copa Libertadores da América. No ano anterior, o time já fizera uma boa campanha no torneio, mas fora eliminado na fase semifinal, pelo CA Independiente, da Argentina. Como pequeno revés, o jogador sofreu uma pequena operação, para a retirada de um dos meniscos do joelho direito.

Porém 1977 seria um ano pior: embora Nelinho tenha marcado um famoso gol de falta na primeira partida da decisão da Copa Libertadores da América, contra o CA Boca Juniors, da Argentina, o Cruzeiro foi derrotado pelo adversário, em uma partida de desempate, na decisão por chutes da marca do pênalti. Além disso, o lateral não atuou em nenhuma partida pela Seleção Brasileira. Ao mesmo tempo, enfrentava crises com a imprensa de Minas Gerais. O único ponto positivo foi a conquista de mais um Campeonato Mineiro.

Mas Nelinho reagiu em 1978. Após a lesão de Zé Maria, o técnico da Seleção Brasileira, Cláudio Coutinho, relacionou Nelinho entre os pré-convocados para a Copa do Mundo. O lateral ficou entre os 22 convocados em definitivo, e iniciou o Mundial como titular, jogando contra Suécia e Espanha. Depois, foi colocado na reserva, mas retornou para o jogo contra a Polônia, pela segunda fase da Copa, no qual fez dois de seus oito gols pela Seleção.

No jogo seguinte, a decisão do terceiro lugar contra a Itália, Nelinho fez o gol mais conhecido de sua carreira: do lado direito do campo, no estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, arriscou um chute direto. A curva da bola tornou impossível a defesa de Dino Zoff, goleiro italiano, e o gol empatou a partida, sendo considerado, até hoje, um dos mais bonitos gols brasileiros em Copas do Mundo.

No ano seguinte, Nelinho não só ganhou a segunda Bola de Prata de sua carreira, mas também realizou outra façanha: em reportagem do jornalista Carlos Valadares, para o programa Globo Esporte, da TV Globo, conseguiu chutar uma bola por cima da cobertura do Mineirão (Estádio Magalhães Pinto).

Em 1980, após ganhar mais uma Bola de Prata como melhor lateral do Campeonato Brasileiro, Nelinho passou o segundo semestre emprestado ao Grêmio FBPA de Porto Alegre, após discussão com o técnico do Cruzeiro, Hílton Chaves. No Grêmio conquistou mais um título, o Campeonato Gaúcho. Em termos de Seleção, após ser convocado para os primeiros jogos sob o comando de Telê Santana, ainda em 1980, foi deixado de lado e nunca mais foi chamado.

Depois do empréstimo ao Grêmio, Nelinho retornou ao Cruzeiro, onde jogou em 1981. Mas, após discordâncias com outro técnico, Yustrich (Dorival Knippel), decidiu deixar o clube, indo para o Clube Atlético Mineiro. Lá, ganhou mais quatro títulos mineiros, em 1982, 1983, 1985 e 1986 – e, em 1983, conquistou sua quinta Bola de Prata. Finalmente, no início de 1987, decidiu abandonar a carreira, logo após o final do Campeonato Brasileiro. Então, já fora eleito deputado estadual pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista) nas eleições de 1986.

Após cumprir o mandato, Nelinho não foi reeleito. Depois, foi secretário-adjunto estadual de esportes, em Minas Gerais, além de rápida passagem como treinador do Cruzeiro. Chegou ainda a ser comentarista da TV Globo em Minas Gerais, antes de concentrar-se no comando de sua academia.

Bibliografia

ARREGUY, Cláudio. Os dez mais do Cruzeiro. Rio de Janeiro: Maquinária, 2010.

Depoimento de Nelinho ao Projeto Futebol, memória e patrimônio, mantido pelo Museu do Futebol em parceria com a Fundação Getúlio Vargas.

NAPOLEÃO, Antonio Carlos; ASSAF, Roberto. Seleção Brasileira 1914-2006. Rio de Janeiro: Mauad, 2006.

SITE DA FIFA. Página World Football, Statistics by Players.  . Acessado em 4 de março de 2013.

WIKIPÉDIA. Verbete Bola de Prata. . Acessado em 4 de março de 2013.

WIKIPÉDIA. Verbete Cruzeiro Esporte Clube. . Acessado em 4 de março de 2013.

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